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13
fev

Resenha: Metal Contra As Nuvens

   Postado por Cassol    em Legião Urbana, Música, Resenhas

Todo mundo já ouviu falar – ou deveria ter ouvido – na banda brasileira de rock conhecida pelo nome de Legião Urbana. Na minha opinião, e na de muitos mais, a maior banda brasileira de todos os tempos. Mesmo passada mais de uma década após o fim da banda dada a morte de seu líder, novos fãs – conhecidos pela alcunha de Legionários – continuam a surgir, fazendo desta excelente banda uma das mais procuradas mesmo em épocas onde o que domina as rádios são porcarias anencefálicas do estilo de alguns pseudo-estilos e pseudo-músicos que não me cabe citar.

Metal Contra As Nuvens é a mais longa faixa da Legião Urbana – e uma das melhores. A segunda faixa de V, um álbum… diferente. O preferido pelos fãs mais fanáticos, já ouvi dizer que o que só um legionário entende. A música conta uma história aparentemente localizada em um cenário medieval, com referências a castelos, princesas e espadas. Recheada de referências mitológicas, a música usa de fortes analogias para comunicar sua mensagem. Num primeiro olhar, ela não diz nada com nada, e bem poderia ter sido escrita num momento em que o Renato estava chapado. Ledo engano. Não é qualquer chapado que escreve uma música criticando veladamente o presidente.

“Mas hein? Cadê a crítica ao presidente?”, demanda o leitor. Uma análise mais criteriosa do que o primeiro olhar mostra diversos pontos de crítica ao então presidente Fernando Collor de Mello. Se você não sabe quem é esse cara, eu sugiro dar um pulinho nos livros de história, ou perguntar para os seus pais. De qualquer forma, o plano econômico do Collor foi um desastre total e ele confiscou o dinheiro das poupanças, confiscou os direitos autorais (o que claramente era um desastre para a banda), fez e aconteceu com a economia. Claramente ele não leu Maquiavel… Mas essa não é a questão. O que vem ao caso é que as críticas ao presidente estão por toda parte: é só olhar a letra da música. Para os mais distraídos, podemos citar alguns trechos. Quando a música fala de traição, quando fala em fome e destruição, quando afirma que “há quem se alimente do que é roubo”, quando diz que é “o descaso o que condena [e] a estupidez o que destrói”. Não se faz necessário comentário algum.

Ao mesmo tempo, Metal Contra As Nuvens é uma música de amor. Ela fala sobre as lutas pela vida, pela felicidade. Quem se atrever a dizer que a felicidade chega sem lutas, e que a rendição é um bom método de alcançá-la, eu diria que se preparasse para as pedradas, mas deve viver num mundo diferente de nós meros mortais. Além disso, afirmar que as últimas linhas da música são qualquer coisa diferente de uma conclusão esperançosa (ocasionais em músicas de crítica escritas pelo Renato Russo) não qualifica como nada diferente de um claro e patético absurdo.

Metal Contra As Nuvens é uma música excelente. Possivelmente uma das mais poéticas da já poética Legião Urbana, com um arranjo maravilhoso e letra incomparável. A rainha de um álbum maravilhoso, com canções esplêndidas e profundas. Altamente recomendada para qualquer pessoa que tenha um cérebro perfeitamente funcional e saiba raciocinar o que a letra diz ao invés de ficar apenas “tunts tunts”. Para sua conveniência, segue a letra.

Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais

Eu sou metal – raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal – eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal – me sabe o sopro do dragão

Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos

Minha terra
É a terra que é minha
E sempre será
Minha terra
Tem a lua, tem estrelas
E sempre terá

Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa

Quase acreditei, quase acreditei

E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo

Olha o sopro do dragão
Olha o sopro do dragão
Olha o sopro do dragão
Olha o sopro do dragão

É a verdade o que assombra
O descaso o que condena
A estupidez o que destrói
Eu vejo tudo o que se foi
E o que não existe mais

Tenho os sentidos já dormentes
O corpo quer, a alma entende
Esta é a terra de ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos

Eu sou metal – raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal – eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal – me sabe o sopro do dragão

Não me entrego sem lutar
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então

Tudo passa, tudo passará
Tudo passa, tudo passará
Tudo passa, tudo passará

E nossa estória não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar

E até lá
Vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos

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25
out

Resenha: Ah! My Goddess!

   Postado por Cassol    em Ah! My Goddess!, Anime, Resenhas

Quando o mangaká Kousuke Fujishima iniciou sua carreira, nos anos 80, seu desenho era sofrível. A situação deste, na ocasião do anime Ah! My Goddess! (Aa! Megami-sama), de 2005, é muito diferente. Os traços belos e harmoniosos que caracterizam deusas, demônios e humanos, a acentuada noção de estilo do autor e a história bem-alinhada, combinados com uma trilha sonora de qualidade e as belas vozes das dubladoras, fazem deste um dos melhores títulos do gênero.

Morisato Keiichi era um estudante de engenharia mecânica em uma universidade japonesa como outro qualquer. Ao discar para a Linha de Ajuda das Deusas por acidente e ser atendido pela bela deusa de primeira classe Belldandy, Keiichi recebe o direito a um desejo. Crendo ser uma brincadeira, ele pede que ela fique ao seu lado para sempre. Ao inadvertidamente pedir a companhia de uma deusa, o estudante recebe o presente dos céus que serve de argumento à história.

O autor trabalha fortemente a questão mitológica e as ligações entre deuses e demônios, chegando ao ponto de haver um personagem relevante metade deusa e metade demônio. Este aspecto da série possui suas raízes na mitologia nórdica, da qual grande parte dos personagens divinos e infernais, e até mesmo seus nomes, sai. Porém, não se trata de mera cópia de cultura popular antiga, visto que cada personagem possui personalidade própria e esta é altamente desenvolvida e complexa, havendo muitas vezes deuses e demônios que são mais humanos que muitas pessoas, em todos os sentidos, bons ou ruins, desta palavra.

É notável na maior parte dos títulos de animação oriental a presença de determinados clichês que se repetem com uma freqüência quase intragável. Infelizmente a obra em questão não consegue fugir destes; é quase como se fosse parte do ritual. O protagonista desajeitado, a namorada que aparece repentinamente, a garota mágica, são alguns dos lugares-comuns que são encontrados nela. Porém, a qualidade inquestionável do enredo consegue suplantar a presença destas idéias mal-recicladas vistas em todas as obras.

Como grande parcela dos títulos de animação, Ah! My Goddess! fica devendo à obra que o originou. O mangá homônimo, que há 20 anos corre o mercado e é um título altamente bem-estabelecido, é mais bem-explicado e possui mais subtramas; o fato relevante, porém, é que a série é muito superior à média das comédias românticas “água-com-açúcar” disponíveis no mercado. A animação é altamente recomendada para casais em busca de uma bela história e adultos procurando romance ou mesmo uma diversão mais escapista. Quem adorar a história deve considerar seriamente ler o mangá. Embora inicialmente sem a mesma qualidade técnica e em muitos momentos sofrendo de crises de falta de criatividade e excesso de enrolação, o título em quadrinhos nada deve para a animação em termos de história.

Uma nota relevante: a série em questão é a iniciada em 2005, com uma segunda temporada em 2006 e um especial em 2007. Também há um especial antigo, de 1993-94, e uma adaptação de comédia no estilo super-deformado, de 1998-99, bem como um filme de 2000. De todas as adaptações, a mais recente é a melhor produzida e a que melhor reflete a história original.

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