Resenha: Ah! My Goddess!
Quando o mangaká Kousuke Fujishima iniciou sua carreira, nos anos 80, seu desenho era sofrível. A situação deste, na ocasião do anime Ah! My Goddess! (Aa! Megami-sama), de 2005, é muito diferente. Os traços belos e harmoniosos que caracterizam deusas, demônios e humanos, a acentuada noção de estilo do autor e a história bem-alinhada, combinados com uma trilha sonora de qualidade e as belas vozes das dubladoras, fazem deste um dos melhores títulos do gênero.
Morisato Keiichi era um estudante de engenharia mecânica em uma universidade japonesa como outro qualquer. Ao discar para a Linha de Ajuda das Deusas por acidente e ser atendido pela bela deusa de primeira classe Belldandy, Keiichi recebe o direito a um desejo. Crendo ser uma brincadeira, ele pede que ela fique ao seu lado para sempre. Ao inadvertidamente pedir a companhia de uma deusa, o estudante recebe o presente dos céus que serve de argumento à história.
O autor trabalha fortemente a questão mitológica e as ligações entre deuses e demônios, chegando ao ponto de haver um personagem relevante metade deusa e metade demônio. Este aspecto da série possui suas raízes na mitologia nórdica, da qual grande parte dos personagens divinos e infernais, e até mesmo seus nomes, sai. Porém, não se trata de mera cópia de cultura popular antiga, visto que cada personagem possui personalidade própria e esta é altamente desenvolvida e complexa, havendo muitas vezes deuses e demônios que são mais humanos que muitas pessoas, em todos os sentidos, bons ou ruins, desta palavra.
É notável na maior parte dos títulos de animação oriental a presença de determinados clichês que se repetem com uma freqüência quase intragável. Infelizmente a obra em questão não consegue fugir destes; é quase como se fosse parte do ritual. O protagonista desajeitado, a namorada que aparece repentinamente, a garota mágica, são alguns dos lugares-comuns que são encontrados nela. Porém, a qualidade inquestionável do enredo consegue suplantar a presença destas idéias mal-recicladas vistas em todas as obras.
Como grande parcela dos títulos de animação, Ah! My Goddess! fica devendo à obra que o originou. O mangá homônimo, que há 20 anos corre o mercado e é um título altamente bem-estabelecido, é mais bem-explicado e possui mais subtramas; o fato relevante, porém, é que a série é muito superior à média das comédias românticas “água-com-açúcar” disponíveis no mercado. A animação é altamente recomendada para casais em busca de uma bela história e adultos procurando romance ou mesmo uma diversão mais escapista. Quem adorar a história deve considerar seriamente ler o mangá. Embora inicialmente sem a mesma qualidade técnica e em muitos momentos sofrendo de crises de falta de criatividade e excesso de enrolação, o título em quadrinhos nada deve para a animação em termos de história.
Uma nota relevante: a série em questão é a iniciada em 2005, com uma segunda temporada em 2006 e um especial em 2007. Também há um especial antigo, de 1993-94, e uma adaptação de comédia no estilo super-deformado, de 1998-99, bem como um filme de 2000. De todas as adaptações, a mais recente é a melhor produzida e a que melhor reflete a história original.
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