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Recentemente eu voltei a escutar Aerosmith. Definitivamente é uma banda que dispensa apresentações; se você nunca nem ao menos ouviu falar eu sugiro que considere a possibilidade de se mudar para a Terra. [piadatosca] Não sei como é a internet aí na lua mas eu ouvi que passa Sailor Moon toda hora na TV. [/piadatosca] Hehehe. Enfim, voltando a escutar essa banda eu descobri que de fato eu gosto um pouco de Hard Rock. Tem umas músicas meio idiotas nesse meio do rock, como em todos; tem modinhas ridículas, como em todos. Ainda assim, dá para pegar bastante coisa boa. E é claro, entender 100% das letras é uma impossibilidade completa, não só pelo peso do som dos instrumentos mas também pelo jeito exagerado que os caras cantam, mas depois que inventaram os sites de letras de música fica tudo certo.

Para quem não tem certeza se gosta de Hard Rock, o álbum Nine Lives do Aerosmith é legal. Tem umas baladinhas tipo Hole In My Soul e no rerelease você encontra a açucarada I Don’t Want To Miss A Thing, um dos temas de Armageddon, um dos melhores filmes fim-do-mundistas que o cinema americano já produziu. Sei que isso não quer dizer muita coisa, mas enfim, a música é boa. Só que eu não vim falar do resto de Nine Lives (”God I love the sweet taste of India / Lingers on the tip of my tongue / Gotta love the sweet taste of India / Blame it on the beat of the drum”), talvez outra hora. Meu objetivo desta vez é emitir opinião sobre Falling In Love (Is So Hard On The Knees), viva os títulos longos.

Essa música, talvez uma hard-baladinha, fala a respeito de como é estar apaixonado de um ponto de vista pouco feliz. Trata-se da história de uma pessoa que se decepciona com a pessoa amada (”I was believer [sic] when you told me that you loved me / And then you called me someone else’s name”). Ela trás referências ao estilo de vida de músicos famosos (”But you like the way I hold the microphone”), conceito mais profundamente explorado pela banda Pink Floyd em seu aclamado álbum The Wall. Ela trás os erros de gramática que não poderiam estar ausentes em uma música “revoltadinha” (afinal estamos falando de Hard Rock, isso não é lounge!).

Falling In Love (Is So Hard On The Knees) é uma música boa. Não é exatamente especial; deve ter umas dez parecidas com essa entre o material do Aerosmith que tenho. É para seguir a receita de várias mães, “cala a boca e escuta a porra da música sem encher o saco!”, ou para dançar numa festa um pouco mais inteligente (porque tunts tunts, francamente, só desligando o cérebro mesmo!), ou para assustar o seu avô com um som mais pesado sem ter que ouvir músicas de bandas que só sabem falar de morte, estupro, drogas… Afinal, isso é Hard Rock, não é Death Metal.

Segue a letra para apreciação. Quem quiser se aventurar a traduzi-la, sinta-se livre.

You’re so bad, you’re so bad, you’re so
You’re so bad, you’re so bad, you’re so

You think you’re in love like it’s a real sure thing
But every time you fall you get your ass in a sling
You used to be strong but now it’s ooh baby please
‘Cause falling in love is so hard on the knees

You’re so bad, you’re so bad, you’re so
You’re so bad, you’re so bad, you’re so

We was making love when you told me that you loved me
I thought ol’ cupid he was taking aim
I was believer when you told me that you loved me
And then you called me someone else’s name

There ain’t gonna be no more beggin’ you please
You know what I want and it ain’t one of these
You’re bad to the bone and your girlfriend agrees
That falling in love is so hard on the knees

You’re so bad, you’re so bad, you’re so
You’re so bad, you’re so bad, you’re so

Chip off the old block, man you’re so much like your sister
My fantasize it must be out of luck
My old libido has been blowing a transistor
I feel like I have been hit by a fuck
Yeah

I’m Jonesin’ on love, yeah I got the DT’s
You say that we will but there ain’t no guarantees
I’m major in love but in all minor keys
‘Cause falling in love is so hard on the knees

What are you looking for, it’s got to be hard core
Must be some kind of nouveau riche
Is this your only chance or some hypnotic trance
Let’s get you on a tighter leash
Own it, own it, own it

You’re so bad, you’re so bad, you’re so
You’re so bad, you’re so bad, you’re so

You ain’t that good, is what you said down to the letter
But you like the way I hold the microphone
Sometimes I’m good but when I’m bad I’m even better
Don’t give me no lip, I’ve got enough of my own

There ain’t gonna be no more beggin’ you please
You know what I want and it ain’t one of these
You’re bad to the bone and your girlfriend agrees
That falling in love is so hard on the knees

I’m Jonesin’ on love, yeah I got the DT’s
You say that we will but there ain’t no guarantees
I’m major in love but in all minor keys
‘Cause falling in love is so hard on the knees

P.S.: Semana que vem começam as aulas. Isso significa mais motivação, mas menos tempo livre. Talvez eu poste neste blog mais seguidamente, talvez menos; só Deus sabe.

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13
fev

Resenha: Metal Contra As Nuvens

   Postado por Cassol    em Legião Urbana, Música, Resenhas

Todo mundo já ouviu falar – ou deveria ter ouvido – na banda brasileira de rock conhecida pelo nome de Legião Urbana. Na minha opinião, e na de muitos mais, a maior banda brasileira de todos os tempos. Mesmo passada mais de uma década após o fim da banda dada a morte de seu líder, novos fãs – conhecidos pela alcunha de Legionários – continuam a surgir, fazendo desta excelente banda uma das mais procuradas mesmo em épocas onde o que domina as rádios são porcarias anencefálicas do estilo de alguns pseudo-estilos e pseudo-músicos que não me cabe citar.

Metal Contra As Nuvens é a mais longa faixa da Legião Urbana – e uma das melhores. A segunda faixa de V, um álbum… diferente. O preferido pelos fãs mais fanáticos, já ouvi dizer que o que só um legionário entende. A música conta uma história aparentemente localizada em um cenário medieval, com referências a castelos, princesas e espadas. Recheada de referências mitológicas, a música usa de fortes analogias para comunicar sua mensagem. Num primeiro olhar, ela não diz nada com nada, e bem poderia ter sido escrita num momento em que o Renato estava chapado. Ledo engano. Não é qualquer chapado que escreve uma música criticando veladamente o presidente.

“Mas hein? Cadê a crítica ao presidente?”, demanda o leitor. Uma análise mais criteriosa do que o primeiro olhar mostra diversos pontos de crítica ao então presidente Fernando Collor de Mello. Se você não sabe quem é esse cara, eu sugiro dar um pulinho nos livros de história, ou perguntar para os seus pais. De qualquer forma, o plano econômico do Collor foi um desastre total e ele confiscou o dinheiro das poupanças, confiscou os direitos autorais (o que claramente era um desastre para a banda), fez e aconteceu com a economia. Claramente ele não leu Maquiavel… Mas essa não é a questão. O que vem ao caso é que as críticas ao presidente estão por toda parte: é só olhar a letra da música. Para os mais distraídos, podemos citar alguns trechos. Quando a música fala de traição, quando fala em fome e destruição, quando afirma que “há quem se alimente do que é roubo”, quando diz que é “o descaso o que condena [e] a estupidez o que destrói”. Não se faz necessário comentário algum.

Ao mesmo tempo, Metal Contra As Nuvens é uma música de amor. Ela fala sobre as lutas pela vida, pela felicidade. Quem se atrever a dizer que a felicidade chega sem lutas, e que a rendição é um bom método de alcançá-la, eu diria que se preparasse para as pedradas, mas deve viver num mundo diferente de nós meros mortais. Além disso, afirmar que as últimas linhas da música são qualquer coisa diferente de uma conclusão esperançosa (ocasionais em músicas de crítica escritas pelo Renato Russo) não qualifica como nada diferente de um claro e patético absurdo.

Metal Contra As Nuvens é uma música excelente. Possivelmente uma das mais poéticas da já poética Legião Urbana, com um arranjo maravilhoso e letra incomparável. A rainha de um álbum maravilhoso, com canções esplêndidas e profundas. Altamente recomendada para qualquer pessoa que tenha um cérebro perfeitamente funcional e saiba raciocinar o que a letra diz ao invés de ficar apenas “tunts tunts”. Para sua conveniência, segue a letra.

Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais

Eu sou metal – raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal – eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal – me sabe o sopro do dragão

Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos

Minha terra
É a terra que é minha
E sempre será
Minha terra
Tem a lua, tem estrelas
E sempre terá

Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa

Quase acreditei, quase acreditei

E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo

Olha o sopro do dragão
Olha o sopro do dragão
Olha o sopro do dragão
Olha o sopro do dragão

É a verdade o que assombra
O descaso o que condena
A estupidez o que destrói
Eu vejo tudo o que se foi
E o que não existe mais

Tenho os sentidos já dormentes
O corpo quer, a alma entende
Esta é a terra de ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos

Eu sou metal – raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal – eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal – me sabe o sopro do dragão

Não me entrego sem lutar
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então

Tudo passa, tudo passará
Tudo passa, tudo passará
Tudo passa, tudo passará

E nossa estória não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar

E até lá
Vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos

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10
fev

So Long Ago, So Clear

   Postado por Cassol    em Música, Vangelis

Tá. Batam em mim o quanto quiser por deixar o blog abandonado por um tempão. Eu tive uns problemas aí, fiz uns negócios que me arrependi… Coisas que não são da conta de ninguém. O que importa é que agora eu voltei a mexer nele.

Eu estou com muita preguiça para fuçar minhas traduções de francês, então eu vou postar uma música em inglês. Eu acho que a essa altura dos acontecimentos todo mundo já devia ser fluente em inglês, mas como tal não é a realidade eu incluiria uma tradução. O problema é que essa música utiliza de um excesso de licença poética e traduzi-la definitivamente não é um trabalho qualquer. Então eu decidi que não vou traduzir.

Essa é uma música do compositor eletrônico-progressivo grego Vangelis, com colaboração de Jon Anderson, vocalista da banda de rock progressivo Yes (mais tarde eles formariam o duo Jon & Vangelis que produziu músicas excelentes).

So Long Ago, So Clear

Once, we did run
How we chased a million stars
and touched as only one can

Once, we did play
How the past delivered you
Amidst our youth we’d dream away, away

As if I knew the words I’m sure you’ll hear
Of how we met as you recall so clear

Once, we did love
Long ago how did I forget
Holding you so closely

Look, how I move
Chance would have me glance at you
To know how you move me, me

All barriers fall around us as we hear
Of memories known and matters long ago, so clear

Once, we did run
How we chased a million stars
And touched as only one can

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28
out

Tradução: Octobre

   Postado por Cassol    em Francis Cabrel, Música, Traduções

Mais uma tradução, desta vez sobre a bela Octobre, também de Cabrel. Já que este mês é outono na Europa, fica a homenagem à beleza do outono francês. Novamente, agradecimentos ao professor e tradutor Michel Abes pela brilhante ajuda, sem a qual minhas traduções de francês para português seriam terríveis :D

Octobre

Outubro

Le vent fera craquer les branches
La brume viendra dans sa robe blanche
Y aura des feuilles partout
Couchées sur les cailloux
Octobre tiendra sa revanche

O vento fará estalar os galhos
A bruma virá em seu vestido branco
Haverá folhas por tudo
Deitadas sobre as pedras
Outubro terá sua desforra

Le soleil sortira à peine
Nos corps se cacheront sous des bouts de laine
Perdue dans tes foulards
Tu croiseras le soir
Octobre endormi aux fontaines

O sol mal sairá
Nossos corpos se esconderão sob pedaços de lã
Perdida em teus lenços
Tu cruzarás a tarde
Outubro adormecido nas fontes

Il y aura certainement
Sur les tables en fer blanc
Quelques vases vides et qui traînent
Et des nuages pris aux antennes
Je t’offrirai des fleurs
Et des nappes en couleurs
Pour ne pas qu’Octobre nous prenne

Haverá certamente
Sobre as mesas de ferro branco
Alguns vasos vazios abandonados
E nuvens presas às antenas
Te oferecerei flores
E toalhas coloridas
Para que Outubro não nos atinja

On ira tout en haut des collines
Regarder tout ce qu’Octobre illumine
Mes mains sur tes cheveux
Des écharpes pour deux
Devant le monde qui s’incline

Iremos ao topo das colinas
Ver tudo o que Outubro ilumina
Minhas mãos em teus cabelos
Echarpes para dois
Diante do mundo que se inclina

Certainement appuyés sur des bancs
Il y aura quelques hommes qui se souviennent
Et des nuages pris aux antennes
Je t’offrirai des fleurs
Et des nappes en couleurs
Pour ne pas qu’Octobre nous prenne

Certamente apoiados em bancos
Haverá alguns homens que se lembram
E nuvens presas às antenas
Te oferecerei flores
E toalhas coloridas
Para que Outubro não nos atinja

Et sans doute on verra apparaître
Quelques dessins sur la buée des fenêtres
Vous, vous jouerez dehors
Comme les enfants du nord
Octobre restera peut-être

E sem dúvida veremos aparecer
Alguns desenhos no embaço das janelas
Vocês brincarão lá fora
Como as crianças do norte
Outubro talvez permaneça

Vous, vous jouerez dehors
Comme les enfants du nord
Octobre restera peut-être

Vocês brincarão lá fora
Como as crianças do norte
Outubro talvez permaneça

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28
out

Tradução: Les Chevaliers Cathares

   Postado por Cassol    em Francis Cabrel, Música, Traduções

Esta é uma bela canção do autor Francis Cabrel sobre o triste fim dos cátaros, massacrados pela Igreja no século XIII. Juntamente com ela está a sua tradução, feita por mim e revisada em conjunto com o Prof. Michel Abes. Mes remerciements au prof!

Les Chevaliers Cathares

Os Cavaleiros Cátaros

Les chevaliers Cathares
Pleurent doucement
Au bord de l’autoroute
Quand le soir descend
Comme une dernière insulte
Comme un dernier tourment
Au milieu du tumulte
En robe de ciment

Os cavaleiros cátaros
Choram docemente
Na beira da auto-estrada
Quando a noite cai
Como um último insulto
Como um último tormento
Em meio ao tumulto
Vestidos de concreto

La fumée des voitures
Les cailloux des enfants
Les yeux sur les champs de torture
Et les poubelles devant
C’est quelqu’un du dessus de la Loire
Qui a du dessiner les plans
Il a oublié sur la robe
Les tâches de sang

A fumaça dos carros
As pedras das crianças
Os olhos nos campos de tortura
E as lixeiras na frente
É alguém além do rio Loire
Que teve de desenhar os planos
Esqueceu sobre o vestido
As manchas de sangue

On les a sculptés dans la pierre
Qui leur a cassé le corps
Le visage dans la poussière
De leur ancien trésor
Sur le grand panneau de lumière
Racontez aussi leurs morts
Les chevaliers Cathares
Y pensent encore

Esculpimo-nos na pedra
Que lhes quebrou o corpo
O semblante na poeira
De seu antigo tesouro
Sobre o grande painel de luz
Conte também seus mortos
Os cavaleiros cátaros
Ainda se lembram

N’en déplaise à ceux qui décident
Du passé et du présent
Ils n’ont que sept siècles d’histoire
Ils sont toujours vivants
J’entends toujours le bruit des armes
Et je vois encore souvent
Des flammes qui lèchent des murs
Et des charniers géants

Azar daqueles que decidem
O passado e o presente
Apenas sete séculos de história
E ainda vivem
Escuto sempre o barulho das armas
E ainda vejo com freqüência
Chamas que lambem muros
E carnificinas gigantes

Les chevaliers Cathares
Pleurent doucement
Au bord de l’autoroute
Quand le soir descend
Comme une dernière insulte
Comme un dernier tourment
Au milieu du tumulte
En robe de ciment

Os cavaleiros cátaros
Choram docemente
Na beira da auto-estrada
Quando a noite cai
Como um último insulto
Como um último tormento
Em meio ao tumulto
Vestidos de cimento

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